Nostalgiando – Perfect Dark N64

Perfect Dark. Ênfase no Perfect.

Perfect Dark. Ênfase no Perfect.

Olá queridos macacos espaciais. Vos trago mais um post sobre jogos da minha infância, dessa vez com o majestoso Perfect Dark, para o meu tão amado Nintendo 64.

Eu não comentei no post do Goldeneye, mas nessa época não tinha PirateBay Steam/Origin/GoG etc, para comprar jogos usando o cartão de crédito do papai, então era comum eu e meus irmãos irmos à locadoras de filmes (que também alugavam fitas de videogames (SIM, FITAS!)) de sexta feira para aproveitar o final de semana com um jogo novo. Certa vez escolhemos este, Perfect Dark.Na época também, era difícil ter acesso à internet como hoje e ainda tendo conexão, você não tinha tudo ao alcance e fácil como se tem no século XXI. O que quero dizer é que, de vez em quando, comprávamos uma revista chamada Nintendo World que continha novidades sobre jogos, dicas, truques e códigos.

Não creio que tenha sido realmente essa, mas pra vocês entenderem

Não foi exatamente essa edição, mas tinha uma falando sobre o jogo

E eis que um dia tomamos conhecimento de um jogo feito pela Rare, a mesma do nosso tão amado Goldeneyeum tal de Perfect Dark. E, por coincidência, encontramos esse jogo na locadora da nossa rua. E, por coincidência, me apaixonei.

Perfect Dark, o sucessor espiritual de Goldeneye (espiritual porque compartilha muito do antecessor, mas a história e universos são diferetnes), lançado em 2000, te põe na pele da agente ruiva e sensual, gostosa que dá um caldo Joanna Dark, a Jô. Jogada inteligente da Rare e seus desenvolvedores, fazendo trocadilho (avá) com a famosa personagem histórica, Joana D’Arc.

A boa e velha joaninha

A boa e velha joaninha

ruiva sensual com seus polígonos arredondados.

ruiva sensual com seus polígonos arredondados.

Vamos ao jogo então. A história básica por detrás dele se passa em 2023 e há uma rivalidade entre duas empresas: Carrington Institute, uma empresa de pesquisa e desenvolvimento de armas e equipamentos que secretamente opera também uma equipe de espionagem e a sinistra dataDyne, empresa de contratos de segurança (quando você precisa de um pequeno exército pra dar um rolê nos morros da Tijuca e afins).

Por detrás dos panos há uma guerra já milenar entre duas raças alienígenas distintas: Os Mayansque previram e erraram o fim do mundo aliens tipicamente cinzas e cabeçudos, que têm aliança com o Carrington Institute e os Skedar, galinhas verdes gigantes que desenvolveram um dispositivo de disfarce que possibilita-os parecerem escandinavos de 2m de altura. A dataDyne tem um contrato com um grupo de escandinavos, de criar uma AI para religar uma nave espacial afundada no oceano, em troca, os escandinavos dariam à dataDyne tecnologia alien o suficiente para ser a maior corporação do planeta.

Skedar em sua forma galinácea original

Skedar em sua forma galinácea original

Disfarce holográfico dos Skedar (é de um remake, mas foi a melhor imagem que encontrei)

Disfarce holográfico dos Skedar (é de um remake, mas foi a melhor imagem que encontrei)

"'murica" este é Elvis, o seu Mayan aliado que te ajudará nas missões

‘murica; este é Elvis, o seu Mayan aliado que te ajudará nas missões

Você, na pele da bela e ruiva Joanna Dark, deve assegurar essa AI para evitar que a dataDyne domine o mundo. Você passa por várias localidades, desde a famosa e famigerada Area 51 até o Air Force One, com mapas muito bem feitos e elaborados, melhores até do que os de GoldenEye, mapas com identidade, fases com finais alternativos e, como em seu antecessor, ele oferece tudo para que o jogador tenha somente o suficiente para sobreviver e oferece muitos desafios.

Assim como em GoldenEye (vou fazer muitas referências neste post, se acostume) o jogo conta com 3 níveis de dificuldade, onde além de dificultar a batalha contra os inimigos, são adicionados mais objetivos à missão. Os mapas são grandes e variados, não havendo muita repetição nesse jogo diferente desses CoD e BFs da vida que é só atirar até o final da fase. Objetivos diferentes, únicos e desafios sempre novos e cada vez mais desfiadores(duuh) tornam a jogatina intensa e divertida para qualquer um jogar.

Esse mapa é legal

Acho que esse mapa é do multiplayer, mas ignora.

Se já era possível agachar em GoldenEye, nesse jogo você pode até deitar, para passar por lugares mais estreitos e se esconder da mira dos inimigos. E os próprio inimigos rolam, pulam, agacham e deitam.

A AI dos inimigos melhorou MUITO do GoldenEye para cá, você vê mais vida nos inimigos de Perfect Dark do que nos do Far Cry 3. Chega a um ponto, que o inimigo aponta a arma para você e ela não dispara, ele fala “Goddammit, stupid gun!” e mexe na arma a fim de destravá-la. Se você não o mata, ele aponta a arma novamente e, dessa vez, atira em você. Você pode também dar uma coronhada nele e fazê-lo se render, jogando a arma longe e levantando os braços, implorando “Please, don’t shoot!”. Havia alguns inclusive que depois de você se virar de costas após rendê-lo te xingava de idiota ou algo assim, sacava uma pistola e voltava a atirar em você. Alguns vinham no chutambô. Você tinha MUITA mas MUUUITA interação com os inimigos, quase como se fossem pessoas mesmo. Você podia até atirar na arma do inimigo para fazê-lo soltá-la e tentar pegar antes que ele recuperasse.

Uma grande adição, também, foram as vozes dos personagens, elemento que não tínhamos em GoldenEye, onde os diálogos eram só textos na tela e grunhidos de inimigos nas mortes.

Agora, algo que me impressionava muito e ainda impressiona é que todas as armas(além de terem animação de reload, diferentemente de GoldenEye, onde James só abaixava a arma e ela estava carregada), tinham um modo secundário de tiro. Da pistola era coronhada, uma metralhadora podia ser lançada como mina de proximidade, uma arma alienígena tinha um modo de tiro rápido e outro lento, mas com balas explosivas e, um dos mais legais, o soco podia ser para ferir os inimigos ou para desarmá-los.

Nesse vídeo você consegue entender:

(Esse vídeo é da versão relançada para Xbox Arcade, só as texturas tão diferentes, o resto é praticamente igual)

Deu pra ver também que, como em GoldenEye, algumas armas podem ser usadas uma em cada mão, mas não todas. E um detalhe que não vejo nem em Far Cry 3 nem em BF3 é que o dedo de Joanna realmente se move ao atirar para pressionar o gatilho. Não é grande coisa, eu sei, mas é um detalhe que eles se preocuparam em fazer.

O jogo conta com diversos gadgets e armas interessantes, bem criativos, como a Laptop Gun(metralhadora transformer que se disfarça de, adivinhe, um laptop), o Crossbow de pulso, o martelo do Chapolin Colorado, armas alienígens iradas e até um tranquilizador. O tranquilizadore é o máximo, porque quando você leva tiro, você fica todo zonzo e a visão toda embaralhada, agora quando acerta o inimigo ele fica balançando a cabeça, no estilo FINISH HIM. Com socos funciona também.


(não deu pra colocar o embed começando no tempo, avança pruns 7 minutos que dá pra ver legal)
O jogo começa com você no Carrington Institute, com o próprio Carrignton te fazendo um tour pelo instituto. Lá você conta com salas de informação sobre personagens, equipamentos e história, um campo de tiros, onde você era desafiado a conseguir medalhas de ouro com as armas para desbloquear cheats, treinamentos de realidade virtual, combate, situações e uso de gadgets e por aí vai. Parecia mesmo que você trabalhava lá e tinha acesso a tudo para aperfeiçoar suas habilidades.

E as músicas, então? Originais e magníficas. Únicas. No vídeo acima você tem um belo exemplo disso. O som de tudo no jogo é bem feito e com zeloso cuidado, você nota que tudo foi feito para dar o máximo de imersão ao jogo. Falando de imersão, todas as fases contam com filminhos de intro e de outro, o que dá aquela ideia de, né….. imersão, sei lá.

Faltou falar algo? Esqueci de mencionar alguma coisa? Acho que só o que tem mesmo a falar é que tinha uma moto legal que aparecia em algumas fases.

Eu sei que diz Xbox 360, mas é porque esse é um remake que colocaram a venda na Xbox Live Arcade, que só tem visual mais bonito e multiplayer Online. Ah é, faltou falar disso. Outras versões e multiplayer. Comecemos com as outras versões: depois que a Microsoft comprou a Rare, a produtora do jogo, A Microsoft ficou com os direitos de produção e venda de Perfect Dark  e resolveu fazer umas paradas aew.

Por isso, o próximo título feito, em 2005, foi lançado somente para Xbox 360. Perfect Dark Zero, se passa 3 anos antes do jogo, em 2020, nunca joguei nem pesquisei muito, mas segundo a Wikipedia conta a história de quando Joanna era uma caçadora de recompensas e foi contratada pelo Carrington Institute numa treta com a dataDyne e bla bla bla. Apesar de tudo, o jogo fez relativo sucesso, vendeu mais de 1 milhão de cópias ao redor do mundo e ganhou uma média de 80/100 dos grandes avaliadores de jogos. Opiniões divididas dizem que o jogo é um baita sucesso ou que a história é fraca e dublagem ruim. O jogo foi lançado praticamente junto com o lançamento do Xbox 360, creio eu que, numa tentativa de trazer os fãs da ruiva Jô para a Caixa X.

Nem tudo foi ruim, vai
Nem tudo foi ruim, vai

 

Interessante que descobri agora só, fizeram livros e gibis. O primeiro Gibi é um extra da edição de colecionador do Perfect Dark Zero, chamado Perfect Dark: Hong Kong Sunrise. Ele prepara o jogador para a história do jogo, provavelmente contando um pouco o background da Jo. É difícil, não encontrei nada nos primeiros 7 resultados do Google sobre a história, sinopses ou algo do gênero.

A edição de colecionador conta com muitas paradas.

A edição de colecionador conta com muitas paradas.

O mesmo Eric S. Trautmann, que fez o quadrinho anterior, fez Perfect Dark: Janus’ Tears, uma série de 6 graphic novels que contam a história de Joanna tentando desvendar um espião infiltrado no Carrington Institute.Confira todos. Ele se passa temporalmente entre os 2 livros, que falo abaixo.

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Também lançaram 2 livros. Um deles, Perfect Dark: Initial Vector, se passa 6 meses depois do Perfect Dark Zero e conta o início da história da Jo como agente do Carrington Institute e como ela vai se desenvolvendo e se preparando para enfrentar a dataDyne. Confira mais.

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O segundo livro, também de Greg Rucka, chamado Perfect Dark: Second Front conta a história de….  algo. Não entendi direito, parece que acontece depois da série de quadrinhos Perfect Dark: Janus’ Tears e tem foco nalguma treta da Joanna. Sério, não entendi pelas sinopses que li.

Nós podemos ver pelas capas que não investiram muito na arte do livro, já que é igual ao outro e tals.

Também, na mesma época do N64 fizeram uma versão para Gameboy Color, que era um plataforma 2D que não parece ter feito muito sucesso, eu lembro que você liberava automaticamente alguns cheats se tivesse o jogo do Gameboy e o transfer pack. Muita inveja disso, era só ter o jogo para liberar o cheat de todas as armas. Nunca consegui. Maldito capitalismo.

Vocês podem ver que eles deram uma bela cagada nas coisas.

Agora, vamos falar sobre coisa boa. Vamos falar da nova TekPix, a mais vendida do BR HU3hU3 O multiplayer. Se Goldeneye pode ser chamado de “pai” do multiplayer FPS, Perfect Dark com certeza é o filho prodígio. Além do famoso splitscreen até 4 jogadores cada um por si, os modos de jogo contam com até 32 bots (se bem me lembro), times de tamanhos e números variados e mapas extensos e bem elaborados, labirintos muitas vezes. Assim como em Goldeneye, você escolhe o personagem que quer ser e, diferentemente de Goldeneye, você pode até customizar e criar um personagem.

A customização contava com troca de torso, cabeça e pernas

A customização contava com troca de torso, cabeça e pernas

Também contava com um sistema de ranking, profiles e stats. Conforme você jogava as partida e vai conseguindo kills e essas coisas, você vai ganhando níveis maiores. Não lembro e não achei nada, acho que esses ranks eram só pra falar pro seu irmão/amigo “SEU NOOB!”.

Contando com todas as armas do jogo e armas do Goldeneye, você podia escolher por partida quais armas estariam disponíveis, espalhadas pela fase e com quais os jogadores começariam. Sim, nessa época as armas eram espalhadas pela fase para que o jogador pegasse quando passasse por cima.

Aaaah, o splitscreen.

Aaaah, o splitscreen.

Até aí tudo bem, pegaram o que tinham feito em Goldeneye e melhoraram. Mas o que realmente deixa/deixou qualquer um boquiaberto é a possibilidade de coop. Você acha dahora jogar Splinter Cell: Double AgentResidente Evil 5/6 e esses jogos coop, pois esse jogo tinha coop before it was cool. Perfect Dark é hipster, quem diria.

 

Na moral, coop é vida.

Na moral, coop é vida.

As missões eram as mesmas do single player e os objetivos os mesmos. A grande diferença é que aparecia um robert ajudando Joanna a matar as negada tudo. Aí conforme você fosse zerando o jogo, dependendo da dificuldade, você liberava outras skins pro parceiro coop, que tem outras armas e algumas skills até.

Engaging in jolly cooperation (Sim, jogo muito Dark Souls também)

Engaging in jolly cooperation (Sim, jogo muito Dark Souls também)


E pra você que nunca conseguiu ouro em todas as armas do Fire Range, #fikdik

 

Esse jogo pra mim ainda é o melhor e mais bem feito FPS de todos os tempos, eu nunca vi nada igual, apesar de jogos da atualidade fazerem bonito, como a exemplo de Far Cry 3, Bioshock: Infinite e vários outros aí. O motivo que me faz amar tanto esse jogo são os detalhes, como falei já, por exemplo do dedo pressionando o gatilho. Quando você vê que cada detalhe foi pensado e teve um cuidado especial, você percebe que quem fez essa obra realmente gostava, AMAVA o que estava fazendo, e, acima de tudo, sabia. Podem lançar quantas engines de gráficos ultra realistas e simulações de física que quiserem, eu não vejo/vi nada, absolutamente jogo nenhum que chegue perto do que esse jogo alcançou para a época em que foi lançado. Mais um exemplo de detalhes que te faz amar a empresa são nos créditos.

“Well packed man” , “Mover and shaker” , “Sound geezer” , “GUNS AND VISUAL ORGASMS”, eu amo esses caras, olha só os títulos que eles se dão.

Amado e nunca esquecido, esse jogo, junto de Goldeneye, me ensinou muita coisa, como, por exemplo, que uns tiros na cadeira e ela explode. Me ensinou como deve ser um jogo e como se fazer um jogo.

Perfect Dark, bota uma boa ênfase no PERFECT, porque esse jogo com certeza está na lista dos jogos eternos ou sei lá.

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Se teve um jogo que realmente marcou minha infância foi Legend Of Zelda: Ocarina of Time. Sério, devo ter zerado esse jogo umas 17 vezes. E é justamente esse o próximo jogo que vou falar sobre. Aguarde e até a próxima!

Esse jogo realmente fez a minha infância.

Esse jogo realmente fez a minha infância.

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