A cultura do criminoso

Não consegui dormir. Horas me revirando na cama e nada. Por isso escrevo este texto, na esperança de passar o tempo para que o dia comece logo. Por isso escrevo este texto, porque meus pensamentos me remoíam a mente e me dragaram a escrever.

Quem aqui não está acostumado já a se deitar na cama e, de tempos em tempos, passar um carro popular que mesmo sendo “popular” custa uns bons 20 mil reais na rua estourando as janelas e os tímpanos no volume máximo do seu sistema de som que custou mais do que a própria casa do motorista? E muitas dessas vezes é o famoso pancadão carioca, o sertanejo corno , universitário ou não, ou um forró. Muitas é pouco. SEMPRE nos atordoam com esse tipo de música. Mas esse não é o motivo de eu estar acordado esta noite. Esta noite não. Mas já perdi muito o sono por causa de criminosos que insistem em querer se exibir e pagar uma de “bandidão” pra todo mundo do bairro “saber quem é que manda”. Mal ele sabe que todos no bairro querem que o motor dele queime de um jeito anômalo a gasolina e tenham que chamar o dentista de infância desse monte de carne carbonizada para os familiares terem a certeza de que era ele mesmo.

Pelo amor de tudo que é mais sagrado, não me venham com essa de “Você não sabe a história dele” ou “Você não pode julgá-lo” ou o que seja. Não importa o estilo ou a música , se um miserável me vem arrebentando a vizinhança com volume mais alto do que as turbinas de um 747, sendo que já passa da meia-noite e amanhã é segunda-feira e eu acordo cedo pra ir trabalhar (não importa o dia, qualquer um tá ruim), ele merece é uns 4 metros de rola debaixo d’água enfiados reto anal acima. Ou cadeia, o que deve dar no mesmo. Mas todo dia. Por rolas diferentes. Divaguei, voltando:

O famoso Pancadão Carioca, de tão criminoso que é, até roubou o nome do Funk. “Mas você está generalizando, não são tudas assim e blá blá blá”, pois bem, tudo que eu ouço é sobre gente pobre fazendo uma orgia, mulheres depravadas se orgulhando de agirem como putas, adultos fugindo de responsabilidades e criminosos ostentando o quão bandidos eles são. Essa é outra também. Ostentação. A palavra que define o Brasil da Copa. O Brasil das Olimpíadas. O Brasil que é o país do futuro há mais de 50 anos e sempre será o país do futuro até que se torne uma Venezuela da vida.

Agora tudo faz sentido.O governo é um reflexo do povo e vice-versa, dizem todos os che-guevaras de plantão. Pois bem, agora tudo faz sentido. Uma nação que se orgulha de ser preguiçosa e criminosa. Que outros políticos esperava-se ter num país desses? Porque não mais criminosos é o José Sarney do que os vadios que recebem Bolsa-Família e fazem filhos para aumentar o auxílio e não praticam nada em prol da sociedade. “Mas, se não fosse pelo bolsa-familia, milhões de pessoas estariam na miséria e bla bla bla” OOOOOOO FILHO DUM JEGUE eu não sou totalmente contra o bolsa-familia. É uma maneira até que razoável de reverter a situação da pobreza extrema, mas pensa comigo: o seu Zé não trabalha. Recebe bolsa-família e a cada 9 meses faz mais um filho pra sua coleção de, até agora, 14 crias. Pois bem, a mulher está sempre grávida e passa a vida lavando roupa e limpando fralda suja. Os filhos não têm nada em que se espelhar e eu não sei dizer sobre as escolas dos locais, então digamos que talvez, muito remotamente possa ter futuro nas crianças NOT. Mas e o seu Zé… faz o quê? Passa o dia inteiro no bar, bebendo com seus amigos, que fazem o mesmo esquema, e ficam enchendo a cara com o dinheiro que você paga a eles. “Mas você tá generalizando de novo, tem gente honesta e blá blá blá” Ok. “Uma calça pra uma adolescente de 16 anos custa mais de R$300,00 reais;”  Preciso dizer mais algo? Tem gente honesta? Tem. Mas eu não estou disposto a dar metade do meu dinheiro suado e merecido por trabalho honesto que eu faço para sustentar milhões de vagabundos. Se ao menos metade usasse como auxílio e não como renda principal, talvez eu fizesse menos estardalhaço.

Isso sem contar auxílio reclusão, crack e outros incentivos pra quem vive do crime, enquanto o aposentado, depois de contribuir por 50 anos com a previdência social para ter sua mais do que merecida aposentadoria, não consegue se sustentar sem trabalhar.

Mas o problema não está nas ruas, nas favelas, nas gangues, no crime nem em distúrbios mentais ou afins. O Estado não está completamente isento de culpa, mas o maior criminoso aqui é o povo. E a vítima? O povo. Ignorante e acomodado, ninguém tem capacidade de agir contra nada. Nos tornamos reféns. Nos sequestraram. As crianças às quais me adereço (que vão pra escola, pra começar, que já são poucas) não têm incentivo para estudarem, se tornarem especialistas em algo e praticarem uma função remunerada que lhe dará um salário mensal para sustentar sua família e, com um pouco de trabalho, talvez umas horas extras, sair de férias no final do ano. Lógico que não. Não quando um revólver .38 com 6 balas lhe garante um presente bem mais próspero e com menos responsabilidades. Não quando seu pai é o maior traficante da quebrada. Não quando ele pode dar uma facada na moça que está voltando da faculdade se ela não der o celular que ele consegue fácil uns mil reais. E a culpa está nos pais. Sim, não única e exclusivamente, mas os pais deveriam ensinar ao filho sobre respeito, trabalho honesto e que sucesso só se vem antes de trabalho no dicionário. Mas ao invés disso, estão tocando “Cabaré” na festa de 4 aninhos do Dedé, com seus amiguinhos todos batendo palmas ao redor.

.Não está evidente? Toda cultura de massa gira em torno da bandidagem. Ela não só é divulgada, como incentivada. Eu dou graças ao bom Odin por estar rodeado de pessoas que não ovacionam a ostentação e a bandidagem. Qualquer veículo de massa faz uso desses artifícios para atrair o povo. Não os culpo, afinal, é preciso ter um público-alvo grande para se ter lucro com algum produto, certo? E o crescimento exponencial da exaltação ao crime não poderia deixar mais claro qual é esse público. O que me deixa (perdoe-me o vocabulário) MAIS PUTO nisso tudo, é que é um monte de caixa de supermercado, que ganha talvez 2 salários mínimos e gasta quase tudo com bebidas, sons e modificações automotivas, fica pagando uma de “Patrão”(me perdoe o trocadilho) gastando com a ostentação das marcas caras pra pegar as 9vinha. V1d4 l0k4 djow. Mexeu com nóis leva tiro, falô? Aí leva enquadro do policial por estar acima da velocidade e se caga todo. “Não seu poliça, sô trabaiadô onestu.” Mas todo dia vai na quebrada comprar ou vender um pó ou uma erva.

E só pra fazer uma rápida referência aqui, temos o famoso futebol e bolsa família pão e circo, de Roma, o funk e a cultura de criminoso condicionamento mental e a loteria de Orwell, e por último as Vejas, afins e Facebooks da vida ondas de informações que lotam as pessoas de coisas para que ela não tenha que pensar. Está tudo posto bem à vista, para todos verem.

Eu não sei como finalizar isso, mas acho que posso dizer que, se ainda faz algum sentido tudo isso que escrevi, então gostaria de acrescentar só uma última coisa; O declínio de uma nação, começa com o declínio do povo. E eu posso dizer que está indo tudo tão mal que até o Rei do Camarote já transou na balada… No banheiro.

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