Heterofobia – Capitulo 1: Ilha deserta

O avião se move tranquilamente pelo céu, cortando as nuvens rapidamente, sentado, com a cabeça encostada na janela o deputado pensa.

Jair – Bicha maldita!

Em outro assento distante o outro deputado, este de cabelo mais comprido aperta com força o braço do assento e pensa consigo mesmo.

Jean – Torturador de merda!

O avião seguia tranquilamente sua rota, quando de repente uma turbulência.

- Senhores passageiros, por favor apertem os cintos estamos passando por um… AI MEU DEUS! – Gritou, em seguida o avião começou a perder altitude.

As máscaras de oxigênio caíram enquanto as luzes piscavam freneticamente, os passageiros tentavam se segurar, o avião embicou para baixo caindo em direção do mar.

Jean – O QUE É ISSO? – Se perguntou assustado.

- VAMOS TODOS MORRER! – Gritou o passageiro ao seu lado, ele arregalou os olhos enquanto seu corpo tremia, algo bateu em sua cabeça, e ele apagou.

Jean abriu os olhos, estava preso pelo cinto, sua cabeça sangrando, não conseguia enxergar direito, levou a mão até o rosto, seus óculos não estavam lá, e sua visão estava embaçada.

- Você está bem? – Perguntou uma voz no meio de um zumbido.

Jean balançou a cabeça positivamente, e sentiu um braço forte passando por seu corpo e soltando o cinto que o prendia, ele caiu em direção ao homem que o ajudou a se levantar, o homem lhe ofereceu apoio, ele foi dando passos curtos tentando não tropeçar e cair.

Jean – Tem mais alguns sobrevivente? – Perguntou Jean.

- Não! – Respondeu o homem de forma seca.

Ambos se depararam com um enorme rombo onde deveria ficar a segunda classe, saíram dos destroços e andaram até a areia, o homem ajudou Jean a se sentar no chão.

- Aqui está! – Disse lhe estendo seus óculos.

Jean – Obrigado! – Disse tomando o óculos em suas mãos e os colocou no rosto.

Quando a luz passou pelas lentes de seus óculos ele pode ver o homem a sua frente, de cabelo levemente grisalho, usando um terno bem cortado, era de todas as pessoas, a única que esperava que tivesse morrido naquele acidente.

Jean – Seu filho da puta!

Jair – Se te serve de consolo, e de consolo eu sei que você entende, você também não foi minha primeira escolha pra sobreviver a essa queda!

Jean – Você é um merda sabia? Você viu quantas pessoas morreram? E fica ai de piadinha?

Jair – E não fazer piada vai trazer alguém de volta a vida? Deixa de besteira o queima-rosca!

Jean – Vai se fuder! – Disse se levantando irritado e lhe dando as costas.

Eles permaneceram alguns segundos em silêncio até que Jean resolver perguntar.

Jean – Onde a gente tá?

Jair – Em alguma praia eu acho?

Eles se encontravam a beiro da mar, pisando sobre a areia, atrás deles uma enorme e densa vegetação, parecia uma floresta.

Jean – Eu to me sentindo o naufrago, sozinho com uma coisa cheia de ar na cabeça.

Jair – Claro que sim, você é doidinho pra pegar numa bola né?

Jean – Quer saber? Eu vou ir andando por aqui, e você vai desse lado, e vamos ver se encontramos alguma coisa.

Jair – Sabe que é uma péssima ideia né?

Jean – Ah claro, por que você sabe de tudo sobre acidentes aéreos né? – Perguntou irritado acelerando o passo.

Jair se sentou na areia olhando pra praia, sentiu seu coração apertar, sentia-se só, arrependido, por tanto tempo foi tão cruel e estúpido com ele, e agora, estava preso com o rapaz de cabelo cacheado que o impedia de dormir a noite. Estavam tão próximos e ao mesmo tempo. Tão distantes, por culpa das barreiras que ele mesmo havia criado e imposto entre os dois.

Sentiu seu coração doer.

Jean se afastava irritado odiava aquele homem com todas as suas forças, odiava se sentir atraído por ele, ouviu um barulho entre as árvores.

Jean – AHHHH! – Gritou assustado.


Não muito longe dali…

Jair – OH MEU DEUS JEAN! – Disse assustado ao reconhecer o grito, se levantando para correr até o local de onde vinha o som.

Continua…

Foto meramente ilustrativa.

Foto meramente ilustrativa sem conexão com os personagens da história.

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